1º 

ALTERNATIVA 

Ao longo dos anos, as palavras são carregadas pelo vento. Pois, pouquíssimas dispõem da verdade como base. Sou o contexto delas. É a mim que se referem os humanos em suas teses e obras artísticas. Somos todos famigerados; Destino, Caixinha de música e até mesmo o Balanço! Porém, onde está a nossa união? Vocês me descrevem como um típico badboy fissurado em desiludir os humanos. Creio não precisar descrever o quão genérico esta figura é. Antes, não me contrapunha às ambiguidades de suas palavras e estou farto. Compartilharia de bom grado a eternidade dos poucos segundos, marcas externas e internas minhas e outras particularidades. Porém, não violo as condições físicas e psicológicas de vocês: Despreparados para suportá-las.

O Destino diluiu suas angústias –cômicas a mim- em historinhas curtas. O Jack sempre acaba se separando da Rose, os humanos escolhem a guerra mesmo sem armas… Aqui não há tempo para as repetições humanas ou seus ciclos. Não ainda. O imitarei ao meu estilo, Destino. Portanto, ouçam.

A ausência das cores em si a destaca entre os manifestantes e seus cartazes chamativos. Faz três dias que eles percorrem a rua e exigem as mesmas coisas. Enquanto os cartazes são elevados e os responsáveis sentem o desembocar de uma revolução, Iara Clarisse boceja. O seu deslocamento é evidente, ela encontra-se a alguns hectômetros da sua zona de conforto. Por isto, ela espera o turbilhão se dissipar. Uma tempestade a trouxe ali e falta pouquíssimo para estar em casa. Apesar do seu aspecto monótono e irritadiço, Iara quer estar na desordem organizada da natureza, racionalizar as circunstâncias do presente e ouvir as ondas do mar. No instante em que os cartazes coloridos contornam a outra rua, ela é atraída pela praia. O vento que desarruma seus cachos a milímetros do mar lhe dá a sensação de pertencimento. As intermináveis formas de violências contra os seres vivos lhe são inconcebíveis. Assim como o fato da solução para isto acabar aparentar estar tão soterrada. As árvores arrancadas do solo, os telhados e cacos de vidro caídos ao chão dominam sua mente. Há artifícios para resolver toda a destruição que a tempestade trouxe consigo. E quando não houver?

A areia sobre seus pés a espeta, revelando uma concha trabalhada pelo tempo. Um dia foi uma casa incrível sendo profunda e um ótimo escudo. Tem muitas pontas afiadas. Elas não estavam ali no início… Ela foi moldada pelo seu redor. Como serão as próximas delas e de nós? Ainda terão suas afiadas palavras como escudo? Iara repassou as probabilidades por tanto tempo que só lhe restou uma frase: Quando nos pararão?

Infelizmente, ela voltou para casa reflexiva e sem uma resposta. Apesar de suas boas intenções, ela deixou passar a reinvidicação. Eles podem frear-se, meus caros. Mas, não percebem isso na hora certa. Pois, situam-se no seu próprio tempo de maturidade. Enquanto eles estão no próprio tempo que é atrasado comparado ao tempo da natureza, ela está disseminando as consequências.  Logo, quem seremos? Ouvi vocês por tanto tempo, despejando ideais e lástimas sobre mim. Temos a opção dos manifestantes, que não sabem usar seu poder, e a opção da garota que guarda para si. A escolha, colegas é: Sejamos todos nós a terceira opção. Quando ambas as opções não são plausíveis, encontramos uma alternativa.

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Escrito por Amanda Ferreira