Conectados 

  Refiro-me aos seres que enxergam, mas não veem um milímetro em sua frente. Asconcepções deles sobre o que lhes cercam não são plausíveis, muitas das vezes. Cerca de três ou quatro concepções dão-me fôlego, diminuindo o percurso pelas trilhas em que os conduzo. Ou seja, eles é que não são favoráveis comigo, Tempo.Recebi objetivos para cada um deles, um propósito, o X. Mas, os seres humanos
traçam linhas tortas, descontínuas ou dão voltas até ele. Isto devido à insistência deles em não me aceitar. Se eles entram em relacionamentos tóxicos, esquecem-se das questões avaliativas ou perdem seu meio de transporte, a culpa é sempre minha. Não revire os olhos, Tempo. Reconheço que no último exemplo você também é uma vítima. Apenas ouça minhas lástimas para depois fazer troça de mim. Melhor, provarei a você que não estou sendo dramático ou ranzinza. Reserve segundos teus para que eu possa compartilhar duas histórias opostas, uma laranja cortada ao meio cuja suas duas fatias estão interligadas.
  A gasolina é algo que impregna, Rose deveria saber. Ela não esperava o luxo trabalhando ali e sabendo que possuía tão pouco valor intelectual nesse mundo
paralelo, mas… O cheiro da gasolina parece transpassar seu corpo, para não comentar sobre o próprio, que apresenta inúmeras manchas pretas. Porém, Rose não se arrepende por completo de ter vendido todos seus bens para poder reencontrar Jack. Andando em direção a ele no clube, ela se contrapõe dos outros por estar tão encardida e é consciente de que fazem troça com seu biquíni antiquado. Sim, mesmo estando num universo diferente o mar ainda está ali. Jack é professor de natação, ignorar isso seria semelhante a passar por cima de uma partícula do que restou dele. Ela se pergunta se é o destino, pregando uma peça para obrigá-la a decidir. Se for o caso, ele conseguiu. Rose sorri em cima da boia, olhando um Jack receoso na água da piscina. Estão naquela mais funda do clube e, se ele conseguisse atravessá-la, já o teria feito. E então, surpreendentemente, ela consegue fazê-lo subir na boia. Enquanto ela, Tempo, pensa me enganar. Jack, neste mundo é um filhinho de papai, não sabe lidar com perdas. Porém, ele não se juntou com ela no para sempre. Desviou-se do principal que é reservado a todos eles, pois havia algo incompleto na sua trajetória. Feche a boca, Tempo. Você se assemelha com a fase problemática dos humanos desse jeito. Ou, pelo menos tente disfarçar seu tédio.   

  Continuando… Se, em cada decisão que os humanos tomam um mundo novo é formado com suas respectivas consequências, teremos muitas probabilidades. Mas, asseguro-lhe que o final é o
mesmo.
  Gé prepara sua voz. Não há em sua mente nada envolvendo objetos pontiagudos, bombas atômicas ou qualquer coisa tóxica para combater seus inimigos. Pois, em XXT não há nada semelhante. Sua tribo está reduzida ao pó, muitos sucumbiram à dor em seus tímpanos e fugiram. Mesmo estando em cabanas, o som da tribo inimiga é estridente e alta o suficiente para desafiar a lealdade de sua família. Os principais combatentes, Gé e Cí encaram-se por um longo tempo. O céu está claro, o verde inunda o local. Porém, a mente de Gé não se encontra na mesma mansidão. Neste momento, não grita para reconquistar. E sim para manter o orgulho, as terras que ainda possui e os poucos que ainda estão ao seu lado. Quando todo o estardalhaço acaba, Gé sussurra as vogais para a tribo. O plano é atacar o norte. O descanso fica para mais tarde, quando não houver pendências.

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Escrito por Amanda Ferreira