De Cabul (Afeganistão) devastado pelas intermináveis guerras, à Nova Jersey com fanáticos por Eagles, o mês de Abril reservou-me muitas surpresas. A primeira dela: Os livros se completam.

No entanto, antes de saberem o porquê, vamos para as respectivas histórias:

O lado bom da vida: (Matthew Quick) 

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Patrick, nosso protagonista de 30 anos, passou um tempo considerável no lugar ruim.
Antes mesmo de sua mãe tirá-lo de lá, seu objetivo é reconquistar sua esposa,Nikki.
Estamos um tempo separados, porém logo estaremos juntos-esse é o pensamento do personagem. 
No entanto, ele não entende o porquê dos seus familiares estares relutantes a falar de Nikki 
ou o que aconteceu que originou esse tempo. A partir disso seguimos acompanhando-o.
Há uma dose extra de futebol americano, Eagles, personagens curiosos e um  certo 
admirador de nuvens.

Cidade do Sol: (Khaled Housseini)

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Primeiramente conhecemos Mariam. Uma hamira (bastarda). Ou seja, 
ela não deve esperar muito das pessoas ou do próprio destino. É 
como uma erva daninha, ninguém a quer ali.  A acompanhamos desde
os oito. Ela e sua mãe, Nana vivem sustentadas por seu pai, Jail,
em Heret (Afeganistão). O destino daquela garotinha é mudado pela
morte de sua mãe. Depois conhecemos Laila de 14 anos. Ela é filha
de pessoas estudadas e modernas de Cabul. É incentivada constante-
mente pelo pai: VOCÊ PODE SER QUEM QUISER, LAILA. Quase vinte anos
depois, o destino de Mariam se cruza com o de Laila. São pesos de
criação que se chocam e formam este emocionante livro. Aqui é abordado
o machismo em sua raiz mais pura. Conhecemos de pertinho (ou reencontramos,
para quem leu O caçador de pipas) os contraditórios talibãs, também os
refugiados afegãos. (Estes últimos temas são características do autor.)

Eles não se completam pelo enredo, ao contrário. Surpreendentemente, há diversos temas no enredo em comum (considerando o fato das histórias serem distintas a primeira vista). Mas, por acrescentar no que falta no outro. Por exemplo (independente da ordem de leitura): No que falta de felicidade em boa parte de Cidade do sol, o outro é repleto (caso comparados). A visão unilateral do mundo que possuímos por Patrick (O lado bom da vida), é preenchida pela grandiosidade de informações de Cidade do sol. Aprendemos muito sobre a política do Afeganistão, às crises dos refugiados. 

Ambos são livros que encantam. E eis alguns pontos em comum entre eles: 

  • Relacionamentos desagradáveis/abusivos 

  • Mensagem de esperança

  • Personagens com problemas psicológicos

  • Autores de gênero masculino 

  • Personagens principais cativantes 

  • Dor e superação