Talvez em outro planeta

  Há quem goste de chuva. Vários gansos passam horas imersas nelas. Porém, a nossa espécie em geral a detesta. No início, assim como outros porcos, eu não tinha relação com a chuva. Ela era apenas água incessante do céu. Porém, agora será a única lembrança de meu amigo.

   Toda a geração de Yales possuíram açougues. Meu pai costumava dizer que é algo que está em nosso sangue. Os humanos sempre foram nossa especialidade. Apesar dos meus pais sempre suplicarem: Solo, eles não sabem o que fazem. Talvez em outro planeta, mas não aqui… Não pude resistir. Roliço é um humano baixo, incrivelmente gordo e sem qualquer beleza. Apenas o observava de longe enquanto ele divertia-se na chuva. Nunca soube o que significava para Roliço. Se é que há algum significado.

   Roliço está encarando-me. Este momento é sempre o mais difícil. Espero que, quando olhar a chuva possa sorrir como ele. Pois, sei que os berros que em breve virão, não sairão de minha mente. Assim como todos os outros. No início é torturante. Uma parte de mim diz que Roliço sabe o que está fazendo. Outra me diz para prendê-lo.

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