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 Gênero: Drama. ♦Notas: Escrito por mim, não retire nada sem a minha permissão. Espero que gostem ♥ Perdoem-me por todos os erros de português que possa ter, pois escrevi na pressa. 

♦Sinopse: Borboletas são legais não são? Coloridas e livres. Pessoas como Letícia desejam ser que nem elas. Mas, Letícia está completamente sozinha agora. Fazendo algo que muitos deveriam fazer: Pensar. 

Autonomia é uma história curta sobre amizade.

Autonomia.

   Sempre desejei ser livre como uma borboleta. Voar por todos os lugares, sem rumo ou compromissos. Porém omiti de mim mesma sobre o preço dessa liberdade. Raramente uma borboleta consegue manter-se viva por mais de 24 horas.

   E aqui estou eu encostada contra uma parede frígida, totalmente sozinha. Abandonei tudo, por uma falsa esperança. Desculpem-me esqueci de me apresentar. Chamo-me Letícia, tenho 17 anos e estou desempregada e sem teto. Meus “amigos” e me deixaram a ver navios. Quer dizer, ver navios é uma expressão bonita perto do que me deixaram.

   O olho para o céu, ele está estrelado. Pergunto-me por um momento se todas essas estrelas tão radiantes seriam sonhos mortos. Imaginem então a quantidade de sonhos mortos por dia. Abaixo desse céu estrelado, pessoas transitam cheias de vida pelas ruas. Mesmo com toda essa andança, há um enorme e assustador silêncio. Consigo ouvir minha respiração, mais pesada que o próprio ar.  Sento-me ao lado da parede. Fecho os olhos, sentindo o vento balançar meus cabelos ondulados.

   Meu celular vibra e eu o pego instantaneamente, com esperanças. Mas, é apenas o sinal avisando que a bateria está no fim. Sorrio para mim mesma.  Não aguento mais esperar. Abro a bolsa, procurando algo que possa me fazer matar o tempo. Mas não há nada. Coloco a mão entre o meu rosto. Não há o que fazer. Esse é o preço da minha liberdade.

   Escuto passos rápidos e pesados ao meu redor. Suspiro, sem nem mesmo olhar já sem quem é. Apenas pelo perfume açucarado impregnando o ar. Conhecem aquele ditado: Não tem como ficar pior? Então, sempre tem como ficar pior.

-Oi. –Anne, a única pessoa que não me poderia ver assim diz. –Vai, tire a mão do rosto. Você sabe que sou eu.

 -Você deve estar feliz – digo, fazendo um enorme esforço para minha voz soar menos rouca. –Conseguiu o que queria.

Ela se senta do meu lado, deixando um espaço entre nós.

-Pelo contrário. –abro uma frecha para espiá-la. Anne não está diferente de algumas horas, mas há algo em sua voz. Diria que é algo sarcástico.  –Não tem graça brigar com alguém assim.

Ela diz isso como se fossemos amigas ou algo do gênero.

-Você é Letícia e eu Anne. Pela ordem natural das coisas temos que brigar. Mas eu não odeio você.

E então ela fez algo que me surpreendeu de uma forma inexplicável. Anne me abraçou. Um abraço forte e aconchegante.

-Obrigada. –disse, em um tom baixo. –Não irei me esquecer disso.

Ela me soltou e me encarou bem com aqueles olhos cor de esmeralda. Sempre tive a impressão que aqueles olhos estavam me julgando, porém não senti isso dessa vez.

-Não conte a ninguém. Iria acabar com a minha moral.

   Nós rimos. Depois disso, não voltei para casa. Não voltei a falar com meus “amigos”. Nem voltei para o meu emprego. Porém realmente ganhei uma amiga e um lar, o que fez tudo valer a pena. Talvez a vida de  uma borboleta seja curta, porém farei minha vida ser tão longa e grandiosa como o oceano atlântico.